INTRODUÇÃO

Qual a importância de um programa de "Aconselhamento Pessoal" que visa a conservação dos frutos do evangelismo?

Estamos convictos de que um trabalho de “Aconselhamento Pessoal”, bem planejado e persistente, pode revolucionar os tradicionais índices de crescimento de uma igreja. Não podemos mais justificar o fato de alguns não continuarem a crescer EM CRISTO, com a desculpa de que são “sementes que caíram em solo rochoso” (Mateus 13).

O que é DISCIPULADO DINÂMICO?


É um trabalho espiritual pelo qual o crente se firma na fé.
“O qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito EM CRISTO; para isto é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a Sua eficácia que opera eficientemente em mim” (Colossenses 1:28-29).
“E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade, e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, fortalecendo as almas dos discípulos, exortando-os a permanecerem firmes na fé” (Atos 14:21-22).
Diante da importância que a Bíblia confere ao “trabalho de assistência aos irmãos na fé”, o cristão responsável não tem outra opção senão realizá-lo. O único ponto que requer estudo é como ele pode ser feito mais eficiente.

O trabalho pelo qual o crente se firma na fé resulta tanto de um treinamento prático como de ensino. O cristão precisa aprender verdades espirituais básicas, e aplicá-las à sua vida, para que crie raízes, e realmente comece a crescer EM CRISTO.

Estas verdades espirituais básicas devem integrar um bom “Programa de Assistência aos Novos Convertidos”. São elas:
  1. Certeza de salvação e sua aceitação perante Deus;
  2. Momento devocional diário;
  3. Princípios básicos da vida abundante em Cristo;
  4. Integração em uma Igreja;
  5. Testemunhar da fé a outros.
Há pelo menos três momentos neste “Programa de Assistência aos Novos Convertidos”:

  1. ACONSELHAMENTO EM GRUPO
    • É o “nutrimento” feito pela Igreja, ou por um grupo de oração ou mesmo grupo de comunhão;
  2. ACONSELHAMENTO INDIVIDUAL
    • São as atividades a que o novo convertido se dedica sozinho;
  3. ACONSELHAMENTO PESSOAL
    • É o estabelecimento de um relacionamento espiritual entre um crente maduro e um novo convertido ou inconstante, com o objetivo de ajudar no seu crescimento espiritual. Este relacionamento chamamos de DISCIPULADO.

Porque o DISCIPULADO é tão importante?

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos a aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” (Colossenses 3:16)
  • Vulnerabilidade:
    • O novo convertido pode ser enganado por Satanás com mais facilidade do que uma pessoa mais madura. Alias, logo que uma pessoa se converte, encontra-se mais vulnerável a Satanás, na luta contra as tentações, do que em qualquer outra ocasião de sua vida.
    • É muito comum um novo convertido ter dúvidas quanto à validade de sua experiência com Cristo.
    • A vitória sobre as mentiras de Satanás só é alcançada pelas verdades da Palavra de Deus. O fato de um novo crente conhecer pouco da Bíblia torna-o quase indefeso.
    • Por isso, o DISCIPULADO se faz tão importante na vida do novo convertido;
  • Potencial de transformação:
    • O novo crente ou um crente já em crescimento se acham num momento crítico. Pela primeira vez em suas vidas, tem a possibilidade de efetuar verdadeiras mudanças em seu modo de viver.
    • Seja ele jovem ou adulto; novo convertido ou não; o DISCIPULADO acelera seu crescimento EM CRISTO e o ajuda na aplicação das verdades bíblicas mais necessárias.
    • Na Bíblia, esse processo de mudanças é chamado “despir-se” do velho homem, e “revestir-se” do novo homem. (Efésios 4; Colossenses 3);
  • Discipulado mais eficaz
    • Um dos mais importantes e básicos objetivos de nosso ministério pessoal é justamente fazer discípulos. (Mateus 28:19-20)
    • Discípulo é o crente que está crescendo em conformidade com Cristo, dando frutos no evangelismo e fazendo o DISCIPULADO para garantir sua permanência.
    • A formação do discipulado no crente deve ser um dos primeiros objetivos do “Programa de Assistência aos Novos Convertidos”.
    • No sentido restrito, é o trabalho inicial de firmar o novo crente na fé.
    • No sentido mais amplo, é o relacionamento que um crente maduro tem com o novo convertido, com o propósito de ajudá-lo a atingir sua maturidade espiritual.
    • Formação do discipulado é o trabalho de preparação espiritual, através do qual o novo crente atinge a maturidade espiritual e a possibilidade de gerar outros crentes.
  • Única forma do “Processo de Multiplicação”:
    • O cumprimento da Grande Comissão está diretamente relacionado ao serviço do crente no DISCIPULADO.
    • O foco deste serviço cristão deve ser não apenas a produção de frutos, mas também a reprodução destes frutos.
    • Ser um multiplicador deve ser o objetivo de todo crente.
    • Multiplicador é o discípulo que prepara seus filhos espirituais para que se reproduzam também, ou seja, o discípulo que pode gerar outros discípulos.
    • Multiplicação então é a formação do discipulado na vida da terceira geração, por isso, consideramos de extrema importância o DISCIPULADO.
O “Processo de Multiplicação” passa por quatro etapas distintas de crescimento:
  1. PRIMEIRA ETAPA – Testemunhar
    • Quando um indivíduo se arrepende e recebe a Cristo como Salvador e Senhor, faz-se necessário o DISCIPULADO para a nutrição deste novo convertido com as verdades espirituais básicas.
    • Cada novo convertido dará testemunho de sua nova vida EM CRISTO com sua família, seus amigos, em seu trabalho.
    • Neste momento inicia a primeira etapa no “Processo de Multiplicação”.
  2. SEGUNDA ETAPA – Evangelizar
    • Ocorre quando falamos de nossa fé em Cristo a outras pessoas. O novo crente EM CRISTO, além de dar testemunho com sua nova vida, também anuncia o evangelho de Jesus a todos.
    • Em Mateus 28:18-20, existe implicitamente, um mandamento para evangelização e então fazer discípulos.
    • É imprescindível que falemos de Cristo aos outros.
    • Quando o pecador se arrepende quando você anuncia o evangelho, inicia a segunda etapa no “Processo de Multiplicação”.
  3. TERCEIRA ETAPA – Aconselhar
    • Nesta etapa do “Processo de Multiplicação”, você que deu testemunho de sua vida EM CRISTO, anunciou o evangelho e alguém se converteu, passa a orientar este novo convertido a vivenciar em sua vida as duas primeiras etapas: testemunhar e evangelizar;
    • Reunimo-nos com um novo crente regularmente, de preferencia semanalmente, para fornecer-lhe os cuidados e ensinamentos bíblicos de que necessita, a fim de que cresça espiritualmente.
    • Um aspecto do DISCIPULADO é incentivar o novo convertido a identificar-se com Cristo publicamente, e a proclamar o evangelho com simplicidade. Isto é testemunhar e evangelizar.
  4. QUARTA ETAPA – Fazer Discípulos
    • É quando começamos a instruir o discípulo com quem estamos trabalhando, para que faça o DISCIPULADO com outro discípulo. Quando o orientamos na terceira etapa: aconselhar. Existem três processos:
      • Ensiná-lo a fazer o DISCIPULADO com alguém semanalmente;
      • Ensiná-lo a ensinar outros a fazerem o DISCIPULADO;
      • Ensiná-lo a ensinar outros para que instruam outros discípulos para o trabalho de DISCIPULADO.
    • Assim como o Apostolo Paulo procurou comunicar a Timóteo, em 2 Timóteo 2:2 “E o que de minha parte ouviste, através de muitas testemunhas ( 1° e 2° etapas), isso mesmo transmite a homens fieis e idôneos (3° etapa), para instruir a outros (4° etapa).”
    • A multiplicação só ocorre quando observamos duas situações:
      • O novo crente foi discipulado até a quarta etapa do processo;
      • Este novo crente, agora um discípulo maduro espiritualmente, continua com todo o processo com outras pessoas independentemente.
O mais importante “por quê?” do DISCIPULADO é respondido com uma compreensão do “Processo de Multiplicação”. Quando esta compreensão fica claro em nossa mente, o processo acontece automaticamente e assim cumprimos a ordenança de Jesus na Grande Comissão (Mateus 28:18-20).
"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cosas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém".

FATORES PERTINENTES AO DISCIPULADO

Existem alguns fatores que controlam e regulam a eficiência do DISCIPULADO:
  1. RELACIONAMENTO COM CRISTO:
    • É indispensável que o discipulador tenha um relacionamento vital com o Senhor, em sua própria experiência.
    • O DISCIPULADO não é uma simples metodologia, mas uma transmissão de vida. Quem tentar ignorar esta regra, inevitavelmente sofrerá uma perda de eficiência.
    • O treino metodológico para o DISCIPULADO tem o objetivo de suplementar à comunicação pessoal de cada um, e não tomar o lugar dela.
    • O desenvolvimento espiritual de um novo convertido pode ser sufocado ainda em crescimento, se nos preocuparmos com os métodos a ponto de sacrificar o relacionamento com Cristo.
      • “Assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos, não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a nossa própria vida, por isso que vos tornastes muito amados de nós” (1 Tessalonicenses 2:8).
  2. DEDICAÇÃO PESSOAL:
    • A multiplicação resulta tanto do DISCIPULADO em si, quanto do treinamento no “Processo de Multiplicação” e isso exige tempo e dedicação.
    • O discípulo que está crescendo espiritualmente talvez sinta isso mais agudamente, devido ao tempo que dedica aos trabalhos da Igreja, vida secular e também na assistência ao novo convertido.
    • Somente uma pessoa inteiramente dedicada se dispõe a empregar ao DISCIPULADO, o tempo que ele exige.
    • A dedicação pessoal tem papel preponderante na realização do “Processo de Multiplicação”
  3. CONCENTRAÇÃO DE ESFORÇOS:
    • Não é possível realizar um bom DISCIPULADO, se tentar trabalhar com várias pessoas ao mesmo tempo.
    • A multiplicação depende de se formar discípulos espiritualmente maduros e bem instruídos, e esse tipo de discípulo nunca resulta de uma produção em massa.
    • Para se conseguir uma verdadeira produtividade, é preciso trabalhar com poucas pessoas por vez.
    • Em 2 Timóteo 2:2 vemos claramente o tipo de pessoa em quem devemos nos concentrar: “fieis e idôneos”.
    • É importante que trabalhemos com pessoas fieis, merecedoras de toda a nossa confiança, que depois poderão reproduzir-se neste ministério.
      • “E o que de minha parte ouviste, através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fieis e também idôneos para instruir a outros” (2 Timóteo 2:2)
  4. DURAÇÃO:
    • É importante compreender que o sucesso do DISCIPULADO está diretamente relacionado ao tempo empregado.
    • Há um entendimento que uma dedicação menor que 3 a 5 anos na assistência do novo convertido pode frustrar todas as expectativas de resultados da multiplicação.
    • Tomemos como exemplo o próprio ministério de Cristo, que dedicou três anos de sua vida a doze apóstolos.
    • É necessário então entender e dedicar o tempo que for necessário ao DISCIPULADO e ao “Processo de Multiplicação”.
    • “O mais pequeno virá a ser mil, e o mínimo uma nação forte; Eu, o Senhor, a seu tempo farei isso prontamente.” (Isaías 60:22)
  5. ENSINO E PREPARAÇÃO:
    • A “Assistência ao Novo Convertido” é, por definição, produto de ensino, preparação e crescimento espiritual.
    • Portanto, a existência de cursos de preparação de pessoas para o DISCIPULADO é um fator importante no “Processo da Multiplicação”.
    • Cada cristão precisa receber treinamento especial a fim de saber iniciar o processo
    • Também é essencial que ele prepare o novo discípulo adequadamente para trabalhar com outras pessoas.
  6. AMBIENTE:
    • Trata-se do ambiente espiritual em que ele se encontra e não o físico.
    • Durante o DISCIPULADO falam-se muito sobre o gozo que se tem nessa nova vida EM CRISTO, sobre o amor dos irmãos e a necessidade de testemunhar, o papel dos estudos bíblicos, o fruto do Espírito Santo, etc.
    • Quando a pessoa frequenta uma Igreja onde tais coisas não se acham evidente, ela começa a duvidar de nossa sinceridade para com ela.
    • Para onde estão indo os seus conversos?
    • Você está criando o ambiente espiritual certo para seu crescimento?
    • O ambiente não apenas desempenha um papel preponderante no desenvolvimento do novo crente, mas também no de crentes mais amadurecidos.

CONCLUSÃO

  • A multiplicação realmente é o único plano que apresenta uma probabilidade de cumprimento da Grande Comissão.
  • É preciso não somente que firmemos os novos crentes na fé, mas também que demos mais um passo, instruindo-os e desenvolvendo-os, para que possam trabalhar eficientemente com outras pessoas.
  • Nosso relacionamento com Cristo influi muito em nossa eficiência. Num certo sentido, o trabalho de DISCIPULADO implica em transmitir vida para outra pessoa, e não apenas conhecimento;
  • Temos que concentrar esforços em alguns poucos. É essencial saber escolher aqueles que serão fieis e idôneos, que poderão reproduzir a vida de Cristo em outros;
  • Fazemos aquilo que aprendemos a fazer. Precisamos então preparar os novos crentes para que venham depois trabalhar com outros;
“E o que de minha parte ouviste, através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fieis e também idôneos para instruir a outros” (2 Timóteo 2:2)

VEJA TAMBÉM:

Postar um comentário

0 Comentários