SEU DISCÍPULO..., ONDE ELE ESTÁ?

O discipulado é responsabilidade da Igreja e consiste em educar, treinar e integrar as pessoas na dinâmica da vida cristã. Esta vida está baseada na comunhão íntima de Deus com o homem através de Jesus Cristo. Esta relação é estabelecida como resultado do evangelismo e do novo nascimento.

A vida de um novo crente é semelhante à vida de um bebê. O Crescimento é inerente à vida crista, tanto quanto à vida física. Este crescimento exige um cuidado inteligente e persistente, que resulta em maturidade produtiva, dentro da comunidade da Igreja.

O Novo Testamento mostra que a pediatria espiritual era parte integrante do evangelismo. Era exercida em pequenos grupos, dirigidos por apóstolos ou discípulos de confiança. Estes grupos não apenas ofereciam o ensino, mas criavam um senso de amizade íntima e vida em comum (Atos 2:42-47). O processo de crescimento que ali se dava seguia princípios definidos.

  • ACONSELHAMENTO PESSOAL

O primeiro princípio do discipulado é o do ACONSELHAMENTO PESSOAL. A vida cristã é aprendida com outros. As virtudes cristãs são assimiladas através de contatos com pessoas cristocêntricas, que expressam a Palavra em suas ações. Cristo treinou doze homens através de uma íntima comunhão.
“E escolheu doze homens para estarem com Ele" (Marcos 3.14).
Paulo teve sete companheiros de viagem os quais treinou por meio de um relacionamento íntimo (Atos 20:1-6). Os pais da Igreja primitiva eram sempre discípulos de um dos apóstolos. A vida cristã é assimilada facilmente através da intimidade com outros cristãos (l Tessalonicenses 3:7-12; Hebreus 13:7).

  • PEQUENOS GRUPOS

O segundo princípio é o da interação de pequenos grupos. Este princípio está estreitamente relacionado com o primeiro. Apenas o aconselhamento pessoal, no entanto, não leva necessariamente a um bom relacionamento entre as pessoas. Grupos Pequenos possibilitam um relacionamento íntimo, mas também fornecem o contexto, o cenário para um bom ajustamento e um crescimento pessoal.

As lições da vida não são aprendidas no contato com uma pessoa apenas, mas com várias. Um relacionamento profundo entre duas ou mais pessoas só se torna possível por causa da relação pessoal com Cristo partilhada por todos. Ele tinha Consigo doze homens aprendendo a importância de boas relações entre si. Inicialmente, no grupo de discípulos havia atritos e desentendimentos, preconceitos e desconfianças. Esses problemas tinham que ser superados através de um inter-relacionamento dos membros do pequeno grupo. Este tinha que ser pequeno o bastante para que Cristo pudesse dar atenção especial a cada um que tivesse necessidade no decorrer do seu próprio ajustamento social. Mas tinha que ser grande o bastante para conter em si os representantes dos diversos tipos de personalidade.

  • O MENOS MADURO APRENDE COM O MAIS MADURO.

Paulo instruiu Timóteo para "transmitir a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros" as coisas que ele mesmo havia ensinado aos muitos discípulos que Deus lhe havia dado (2 Timóteo 2:2).

Moisés foi instruído por Jetro para usar "homens fiéis" para explicarem os estatutos de Deus aos filhos de Israel (Êxodo 18:20-22).

Por ignorarem este princípio básico, muitas igrejas estão formando hoje pequenos grupos de estudos sem uma liderança devidamente amadurecida, pensando que a livre expressão do grupo estimulará o seu crescimento. Depois de seis meses, mais ou menos, estes grupos em geral se dissolvem, e um ambiente de desilusão se estabelece, a não ser quando os membros são bem amadurecidos, tais grupos estão destinados ao fracasso.

Bem poucos na igreja, por causa da religiosidade dominante, têm esse tipo de maturidade. Você está oferecendo uma liderança madura aos menos maduros?

  • LIBERDADE PARA PERGUNTAR


Os grupos cristãos do período Neo-Testamentária tinham liberdade para expor suas perguntas, dúvidas e descobertas.

Cristo perguntou aos Seus discípulos quem eles pensavam que Ele era (Mateus 16:15); eles Lhe perguntaram quando viria o Reino (Atos 1:6-11) e por que Ele ensinava por parábolas (Lucas 8:4-15). Em outras palavras, a expressão é um dos princípios básicos do discipulado e do crescimento. Muitas vezes, as igrejas têm um excelente "ministério de púlpito", no qual o povo tem pouca chance de expressar o seu discernimento espiritual e suas indagações.

  • O ELEMENTO DE DESAFIO

Não pode haver crescimento real, a não ser que o cristão saiba que deve tomar uma atitude, como resultado daquilo que aprendeu na Palavra.

Paulo sempre termina suas cartas dando uma lista de coisas que os leitores devem fazer como resultado do seu ensino. O escritor aos Hebreus não pode suportar a letargia dos leitores e os critica pela demora em atender, por sua permanência em princípios elementares da doutrina, e por não avançarem para a maturidade.

Com esse claro alvo em mente, o cristão em crescimento é "advertido e ensinado em toda a sabedoria (capacidade de ver a vida do ponto de vista de Deus), de modo a apresentar todo o homem maduro em Cristo" (Colossenses 1:28).

  • DIVERSIDADE DE MÉTODOS

A Igreja Primitiva usava métodos diversificados para treinar seus novos convertidos. Para os "nenês" em Cristo, eles davam leite (I Coríntios 1:2; I Pedro 2: 2; Hebreus 5:12), e carne (alimento sólido) aos experimentados e maduros em Cristo (l Coríntios 2:6-13; Hebreus 5:13-14).

Infelizmente, a Igreja de hoje esqueceu, quase que por completo, esta importante verdade. A divisão em grupos é feita de acordo com a idade, e não de acordo com a maturidade espiritual. Caímos assim no erro de super estimular uns e desestimular outros, alimentando devidamente apenas 5%.

Geralmente nos concentramos nos 5% e nos alegramos por estarem tão bem, mas, não sei porque, nos esquecemos dos 95% dos famintos espirituais.

  • O PRINCÍPIO DE AUTORIDADE

O discipulado traz em si o princípio de autoridade. Os apóstolos e discípulos permaneceram fiéis ao seu chamado divino para ensinarem e pregarem.

Isto é muita vezes denominado de ministério profético - falar ao povo da parte de Deus. As pessoas que ouviam a Jesus ficavam impressionadas "porque Ele falava como tendo autoridade e não como os escribas" (Mateus 7:28-29). Esta autoridade era resultado de uma vida em harmonia com a mensagem. O povo via claramente a Palavra como a Palavra viva em Jesus. Do mesmo modo, a autoridade do discípulo de hoje é "Cristo em vós, a esperança da glória" (Colossenses 1:27).

  • DENTRO DA PALAVRA

O oitavo princípio parece com o sétimo: o discipulado está diretamente ligado à Palavra (João 8:31-32).

Os reformadores tomaram as Escrituras do Antigo e Novo Testamento, como a "única regra infalível de fé e vida”. Paulo considerava os bereanos "mais nobres que os de Tessalônicos porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se essas coisas eram mesmo assim" (Atos 17:10-11). Da mesma forma que o "Verbo Se fez carne" no homem Jesus, a Palavra deve, diariamente, se tornar carne nos discípulos de Jesus dos nossos dias.

  • ALVO DE MATURIDADE

O alvo para a vida cristã deve ser a maturidade em Cristo e nada menos do que isso.

Esta maturidade tem características ou padrões bem definidos. Alguns deles são: amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, benignidade, fé, mansidão, domínio próprio, piedade, constância, segurança, boas obras, plenitude do conhecimento de Deus, sabedoria espiritual, coração puro e consciência purificada. Em Colossenses 1:28 e Efésios 4:13. Paulo disse ser esse o alvo do seu ministério.

É bom lembrar que maturidade é a capacidade ou a habilidade de se reproduzir, e não a perfeição total.

  • CENTRALIZADO EM CRISTO

Por último, o discipulado é centralizado em Cristo.

A doutrina concernente a Jesus Cristo é sempre o fundamento do caráter cristão. A verdade é que todos os outros princípios partem deste princípio central, assim como os raios de uma roda partem do seu centro. Talvez isto esteja mais claramente evidenciado nas passagens doutrinárias e exortativas de Hebreus. O escritor interrompe sua exortação quatro vezes para dizer aos leitores para olharem para Cristo. Conhecer a Cristo melhor significa tornar-se mais semelhante a Ele.

Há mais um aspecto que deve ser mencionado: a importância do tempo. Não existe absolutamente maturidade instantânea. O discipulado deve ser encarado pela perspectiva mais ampla do plano do Espírito Santo e do que Ele quer na vida de cada cristão. Alguém disse: "A vida cristã não é fabricada em massa. São necessários meses e não minutos para se estabelecer uma vida cristã duradoura." Os discípulos, afinal, são "fabricados à mão", e não "feitos em série".

E o seu discípulo... onde está? Você tem um? Sente-se responsável por ele? Inúmeras vezes, em conferências, sermões e grupos de discussão, temos ouvido dizer que a Grande Comissão significa simplesmente que devemos ir e nos esforçarmos para conseguirmos decisões por Cristo. Nosso Senhor, porém, ordenou: “... indo pelo mundo, consigam para Mim, homens que Me durão lealdade total (Lucas 14:27), homens que reconhecerão o Meu senhorio sobre todas as áreas de suas vidas (João 8:31), homens que irão produzir (João 15:8), homens que irão amar (João 13:35), homens que se sacrificarão. Ele nos enviou ao mundo para fazermos discípulos (Mateus 28:19).

Conseguir decisões e fazer discípulos não são a mesma coisa.

Para podermos fazer discípulos, primeiramente precisamos ser discípulos. Foi para isso que fomos chamados pelo Senhor da Igreja.
  1. O que é necessário para fazermos discípulos?
  2. Como poderemos fazer discípulos se não somos nós mesmos discípulos?
  3. Poderia uma corrente de águas elevar-se mais do que a sua fonte?
  4. Você é discípulo de Jesus Cristo?
Medite nas palavras de Jeremias: 
"Se te fadigas correndo com homens que vão à pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?" (Jeremias 12:5).

PAULO LANDREY

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